Fungo “do bem” age escondido e fortalece plantas
O processo começa antes mesmo do contato físico
O processo começa antes mesmo do contato físico - Foto: Canva
A interação entre microrganismos e plantas desempenha papel relevante no desenvolvimento das culturas, envolvendo processos de reconhecimento, adaptação e equilíbrio biológico. As informações são de Fernando Souza, engenheiro agrônomo, que detalha as etapas da relação entre o fungo Trichoderma e o sistema radicular das plantas.
O processo começa antes mesmo do contato físico, quando o fungo é atraído por exsudatos liberados pelas raízes. Ao alcançar a superfície radicular, ocorre a adesão, principalmente por meio de hidrofobinas, proteínas que formam uma camada adesiva, permitem a fixação e contribuem para uma interface estável entre fungo e planta, além de proteção contra compostos antimicrobianos.
Na sequência, o Trichoderma inicia uma penetração controlada nos tecidos da raiz. Esse avanço ocorre com auxílio de enzimas que modificam a parede celular vegetal, como proteases que degradam proteínas estruturais. As swolleninas também atuam nesse processo ao desorganizar a celulose e afrouxar a parede celular, facilitando a entrada das hifas sem causar danos severos.
A presença do fungo ativa respostas imediatas da planta, como produção de espécies reativas de oxigênio, óxido nítrico, etileno e alterações no fluxo de íons. O reconhecimento de moléculas do fungo desencadeia a imunidade vegetal, seguido por reforço estrutural com deposição de calose e produção de compostos antifúngicos, limitando a colonização.
Mesmo diante dessas defesas, o Trichoderma adota estratégias para se estabelecer, modulando respostas da planta, resistindo a compostos antimicrobianos e reduzindo a produção de fitoalexinas. Após colonizar a raiz, passa a utilizar compostos vegetais, como sacarose, convertida em glicose e frutose, sustentando seu crescimento.
Ao final, estabelece-se uma relação simbiótica, na qual o fungo permanece restrito às camadas externas da raiz, sem invadir tecidos vasculares em condições normais. A colonização ocorre de forma controlada pela planta, sem caráter patogênico e com efeitos considerados benéficos.